Terça-feira, 20 de Junho, 2006
Feminidade - Junho 2006
Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu em 6 de Novembro 1919 no Porto, no seio de uma família aristocrática mas muda-se aos dez anos para Lisboa. Passou grande parte da sua infância à beira-mar, na Granja. Frequentou Filosofia Clássica na Universidade de Lisboa, mas não chegou a terminar o curso. Foi casada com o jornalista Franciso Sousa Tavares e mãe de cinco filhos que foram a inspiração para os vários contos infantis. Na sua poesia, luminosa, nascida da pureza do mar, sente-se a procura do mundo harmonioso. "Motivos concretos e símbolos excepcionais para cantar o amor e o trágico da vida foi-os buscar ao mar e aos pinhais que contemplou na Praia da Granja; com a sua formação helenística, encontrou evocações do passado para sugerir transformações do futuro; pela sua constante atenção aos problemas do homem e do mundo, criou uma literatura de empenhamento social e político, de compromisso com o seu tempo e de denúncia da injustiça e da opressão". Foi galardoada com alguns prémios literários, sendo o mais importante em 1999, o Prémio Camões. Morreu a 2 de Julho de 2004.
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Escrito por Luna, a 20 de Junho, 2006
Já dei esse poema a português, é muito bonito.
Sem dúvida que foi uma brilhante escritora :)
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Grande Sophia! Também gosto muito! Ainda me lembro quando na escola me mandaram ler "A floresta". Que saudades... **(",)**